quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
1ª FEIRA DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL DA ZONA URBANA DE SANTARÉM
No dia 14 de dezembro no parque da cidade se realizou a primeira feira de educação ambiental da zona urbana de Santarém, que contou com a participação de varias escola da rede municipal de ensino.
Todos os trabalhos apresentados falavam sobre o meio ambiente.
Total de escolas participantes: 32 escolas
Escola Municipal Hilda Mota apresentou a coreografia quem é ele e Pilha e Bateria descartadas contaminam o meio ambiente..
Escola Municipal Ubaldo Corrêa com o tema consciência ambiental: uma necessidade urgente.
Escola Municipal de Ensino Fundamental Paulo Rodrigues dos Santos apresentou “alimentação saudável, as propriedades terapêuticas e a riqueza nutricional dos frutos amazônicos e das hortaliças”
Escola Frei Rainério: meu amigo cajueiro.
Escola União Libertadora: preservando conservando para não acabar.
Escola Dom Floriano: o homem de papel
Escola Nossa Senhora de Fátima Laguinho: reciclagem:O lixo que vira arte.
Escola Sergio Luiz Heenn: Água se cuidar não vai faltar.
Escola Magalhães Barata: Parquinho colorido
Escola Rotary: O homem e sua relação com os animais.
Escola Fluminense: Água.
Escola Santa Luzia: Preservar o meio ambiente é reciclar.
Programa Mais Educação
Casinha de leitura e outros
A visão sobre o meio ambiente no que diz respeito a sua conservação e preservação com base no documento da agenda 21.
No contexto atual há a necessidade urgente de se desenvolver projetos voltados para a educação ambiental na escola uma vez que a mesma é um meio auxiliador no processo de construção de conhecimento, possibilitando assim, uma melhor conscientização para a preservação e conservação do meio onde o educando está inserido o que trará benefícios a todos e principalmente possibilitará a formação de cidadãos responsáveis e conscientes.
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
CUIDAR É SENTIR O OUTRO
CUIDAR É PROTEGER, É RESPEITAR. DEIXAR O OUTRO SER, AMAR, SILENCIAR, VALORIZAR, ACARINHAR.
CUIDAR É TER COMPAIXÃO, TER MISERICÓRDIA. PROMOVER, AGILIZAR, SOCORRER, APOIAR, TOCAR, QUERER CURAR, SALVAR.
CUIDAR, É FAZER-SE IRMÃO E IRMÃ. APROXIMAR-SE, ESCUTAR, CONSOLAR, SENSIBILIZAR-SE, REVELAR, SOLIDARIEDADE.
CUIDAR É MAIS QUE UM GESTO HUMANO. É MISSÃO DIVINA, NASCE NO CORAÇÃO. JESUS É O CUIDADO DE DEUS FEITO DOM.
CUIDAR DA SAÚDE É UMA IDENTIDADE. VAI ALÉM DE TECNICA INSTRUMENTAL. FAZ USAR OS OLHOS, OS OUVIDOS, A BOCA, AS MÃOS, OS PÉS E OI CORAÇÃO.
SEJAMOS TODOS CUIDADOSOS UNS COM OS OUTROS. CONFIRMEMOS NOSSO COMPROMISSO EM FAVOR DA VIDA, COMBATENDO TODAS AS FORMAS DE "ABORTOS" PROVOCADOS E CONSENTIDOS PELA SOCIEDADE EM QUE VIVEMOS.
A VIDA QUER VIVER!
VIVA A VIDA!
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
A TERRA ESTA SOFRENDO
TEMOS QUE TOMAR CONSCIÊNCIA EM RELAÇÃO A ESTE PROBLEMA SOCIAL DE GRANDE CALAMIDADE PUBLICA.
VENHO ATRAVÉS DESTE PEDIR:
NÃO JOGUE LIXO NA RUA!
NÃO JOGUE LIXO NOS RIOS!
NÃO JOGUE LIXO NAS FLORESTA!
NÃO JOGUE LIXO NO CHÃO!
NÃO JOGUE LIXO NOS LUGARES PUBLICOS!
SEJA EDUCADO JOGUE O LIXO NO LIXO.
PROFESSOR: MAURÍCIO MACIEL
terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
A ultima carta
Em minha casa, tudo estava no ponto mais absurdo. Meus pais viviam brigando dia e noite, e não se importavam mais comigo e com meus irmãos. Eu não compreendia essa situação e, por isso, lutava desesperadamente para ficar em casa o menor tempo possível. Saía de manhã e só voltava a altas horas da madrugada, quase invariavelmente bêbado. Muitas vezes_ hoje já não mais sinto vergonha de contar_ fui pego na rua por toda madrugada. Bebia , brigava, andava com que, quando pouco, poderia chamá-los de neuróticos, sádicos, violentos.
Também fui, talvez você não soubesse um viciado. Um dia um “amigo”apareceu com tóxicos e eu, por pura ignorância e falta de amor à vida, os tomei e, pior, continuei a fazê-lo. Estava ficando fora de mim mesmo; a cada dia que passava eu mi tornava um pouco mais louco, um pouco mais assassino, um pouco mais infeliz.
Um dia, porém, durante um baile em casa de amigos, encontrei uma grota que muito me chamou atenção: Mônica. Não sei, realmente, o que me levou a ela. Penso, hoje, que o meu caráter abalado foi dominado pelo meu simples e óbvio instinto físico. Ela era atraente, em quase todos os sentidos. Não foi muito difícil chegar-me a ela, pois meu poder aquisitivo sempre fora, até então, a armar irresistível que eu usava para persuadir as pessoas.
Em pouco tempo começamos nosso romance. Tínhamos um contato frio e muitas vezes estranho. Eu resumia meu amor em dar-lhe presentes, em satisfazer-lhe as vontades e, mesmo assim, julgava gostar dela. Ela, porém, era incompreensível. Muito embora eu tivesse mudado, não bebendo tanto e procurando fugir dos meus “amigos” mais perigosos, ela não me ajudava, não apoiava, não dizia nada.
Assim aos poucos, nosso relacionamento tornou-se perigosamente frio e sem sentido; nossos contatos pareciam cada vez mais comerciais, e nossa maior intimidade física nos prendia; a única coisa que aumentava entre nós era o interesse sensual, a busca desenfreada de libertação de instintos num jogo em que não havia vencedores.
Numa noite, entretanto, quando andava sem rumo pelas ruas de meu bairro, algo fatal veio a me acontecer. Vi Monica em um carro com outro rapaz, aos abraços, beijos e carícias. Entendi, então, o que acontecera: tinha sido usado, usurpado por uma pessoa que não tivera o menor sentimento para comigo. Naqueles últimos tempos, embora houvesse tanta frieza em nosso relacionamento, eu ainda julgava amá-la. Aquilo foi para mim o final.
Novamente comecei a me embebedar: e bêbado fui à casa de Mônica e a destratei, chamando-a de miserável, vagabunda, mesquinha. Depois. Saí correndo desenfreadamente pelas ruas sob chuva. Teria morrido se algum carro tivesse cruzado meu caminho.
A partir de então, minha vida voltou praticamente à estaca zero. Não me conformava com aquilo que acontecera; agora eu brigava também em casa, chegando ao ponto de querer espancar meu próprio pai, quando, bêbado, discutia com ele.
O restante acho que você já sabe bem. Aquele cruz que vi na porta, ao passar em frente, me fizera não sei porque, entrar. Sentei-me desconsolado e perdido, chorando, pensando na minha miserável sorte e xingando Deus por ter-me feito o mal; o Deus que para mim só existia quando surgiam coisas ruins. E você, em pé á minha frente, continuava a indagar.
Lembra-se? Você perguntou o que me atormentava, e eu lhe disse apenas que não me incomodas-se que não se preocupasse comigo. Mas você não me ouviu; ergueu-me do banco(a muito custo) e levou-me a um homem que, soube depois, tratava-se de um simples e humano sacerdote. Fiquei por ali, conversando com ele sem compreender como uma pessoa, que eu nunca vira antes, pudesse me ouvir e entender.
Depois, nas várias vezes que liguei a você, eu me sentia cada vez mais homem, mais ser humano. Vi que a sordidez que me cercava nunca me traria um bem, que o mundo estava errado, e eu não sabia. Eu amara desvairadamente uma pessoa, e você depois, friamente, revelou-me que eu amara a mim mesmo, de um modo indiscutível. Cada vez que eu a via, seus olhos me irradiavam uma paz que só os justos possuem; você me ensinava sempre mais.
Nunca hei de esquecer o dia em que você me explicou me convenceu da existência de Deus. Falou-me do Universo, do crescimento igual e belo das plantas, das flores, do incompreensível e admirável mistério da vida, da presença divina em todos os lugares. Eu senti, naquele dia, algo que me espreitava em cada esquina, em cada árvore, em cada ser que me fitava.
Naquela noite eu, que sempre me proclamara um ateu, rezei silenciosamente ao Deus que eu jamais quisera conhecer e pedi perdão do mais fundo de mim. Percebi sua presença ao meu lado de uma maneira tão indubitável que poderia ter tocado nele, se aquele misto de emoção e terror não me paralisasse. Senti alguém perto de mim a respirar e murmurar, um alguém eterno e supremo. Se eu pudesse pedir-lhe alguma coisa, pediria que esvaísse que aquela noite fosse eternamente se estendendo.
Comecei a entender o sentido da palavra “viver”. Eu já não compreendia o modo de viver daqueles que sempre se disseram meus “amigos”. Senti que era vazio, apático, egoísta, desinformado. Vi surgir para mim uma nova época, uma vida que sempre tive na mente como utopia, um sonho maluco e mentiroso. Você fez de mim uma pessoa que acreditava em si mesmo, que confiava naquilo que lhe havia sido dado. Eu percebi que já não me abatia facilmente, que enxergava nas pequenas coisas um pequeno toque de amor, que já não me enganava, mesmo que o quisesse.
Na verdade, eu nunca compreendera o sentido da palavra “ideal”. E repentinamente descobri que eu estava lutando por um. Você, num dado instante, me perguntou por que, então, eu tanto lutava. E me jogou na cara este meu próprio ideal. Nunca imaginei que tanto havia pelo que lutar que tantas criaturas vivem atormentadas, que tão hediondo se encontrava nosso mundo. Via escuridão a cobrir todo este planeta; você era uma chama que teimosamente lutava para iluminar, para dizer não.
A noite de vigília, em que resolvemos ajudar em caravana a todos os indigentes, os desamparados, selou em meu coração tudo aquilo que vinha sistematicamente florescendo. Em cada instante que parávamos o carro, a cada pessoa a quem dávamos um café quente ou um pedaço de pão, eu via um Cristo enorme que nascia do seu coração. Essas pessoas nos agradeciam com tanta sinceridade e felicidade que me senti o homem mais realizado da terra. E aquele homem velho, cheirando a aguardente, depois de receber seu pedaço de pão pegou na minha mão e disse: “Tá vendo, meu filho? Este aqui é o corpo de Deus. É Jesus que veio com você para me alimentar. Como foi bom você ter vindo, meu filho. Como foi bom! Eu chorei. As lágrimas corriam de meus olhos sem nenhuma censura; não sei se de felicidade ou de dor. Meu corpo parecia entorpecido e outra vez percebi a mão de Deus em meu ombro, os olhos de Deus a me fitar através daquele mendigo. Eu já não era mais o de antes.
Desta maneira, não sei se por agradecimento ou emoção, comecei a desviar minha atenção para você. O meu mundo novo, minha vida alegre e saltitante, o sentimento de doação e sua presença começaram a me levar em sua direção. Acho que o fato de ter sido você a pessoa que me levantou, que me mostrou o caminho, que infundiu em mim aquele sentido da vida que cristo quis transmitir a todos nós, foi que jogou-me em sua direção. E eu comecei a aproximar-me de você, a ver em você algo que não percebera em outras garotas.
Nas cartas que lhe escrevi, tentei mostrar-lhe o quanto você valia para mim. Penso, porém, que seria melhor se não o tivesse feito. O que havia em mim já se tornava grande demais para que você pudesse compreender. Eu queria dar tudo de mim, tudo daquele muito que eu tinha. Entretanto, você não estava em condições de receber, não podia receber.
O dia em que você me telefonou e comunicou quase que laconicamente que gostava de outra pessoa, eu sinceramente pensei que ia arrebentar. Senti o chão faltar sob meus pés, uma enorme pedra ser projetada sobre minha cabeça.
Via-me novamente nas trevas e experimentei, por algum tempo, um lugar ao qual não desejava voltar, por nada deste mundo.
Mas, depois, lembrei-me de algumas anotações que fiz durante minha travessia de lá para cá e encontrei ovas forças para recomeçar. Na verdade, hoje sei que, o fato de se gostar de uma pessoa não é algo que sempre depende de nós mesmos, de nossa magnânima vontade. É uma coisa profundamente complexa e aleatória, ás vezes, com um sentido absurdo. Jamais poderei culpar você pelo fato de não gostar de mim do modo que eu queria. Aliás, você mesma me ensinou isto. As coisas na vida não são como desejamos, mas como se nos apresentam. A grande aventura de nossa existência não teria sentido se assim não fosse.
Escrevo desta forma, apenas para não deixar em branco a minha ausência. Sabia que estou muito bem, que o motivo de não mais aparecer no movimento é não só a minha vontade de não criar tensões para você e o Eduardo, mas também o fato de eu já estar ligado á turma daqui da minha paróquia, que precisa muito de mim. Jamais esquecerei do que você fez por mim; do homem que em mim nasceu. Nunca mais voltarei a ser o que era.
Por fim, peço que não perca o sono por minha causa. Eu já superei a má fase; contei muito com o que você mesma me disse. Desejo a você a maior felicidade do mudo as maiores bênçãos de Deus. Que permaneça para sempre com você e o Eduardo a paz que somente ele pode dar.
Adeus. Um eterno abraço do Teleco.
Fim
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008
CONTOS DA VIDA REAL (PROJETO ESCOLAR)
PROJETO
Meu livro de pequenas histórias
TEMA:
Pequenas historias da vida real.
PROJETO:
Meu livro de pequenas histórias
TEMA:
Pequena historia da vida real.
DISCIPLINA:
Língua Portuguesa, Educação Artística e Educação Religiosa.
PARTICIPANTE:
Aluno das 8ª serie.
JUSTIFICATIVA:
Despertar no educando a pratica da leitura tem sido um desafio para educadores de todas as séries, do fundamental ao médio, em todos os municípios do nosso pais. Portanto a formação do homem se dar com sua capacidade de raciocinar e por em pratica sua idéias, para o crescimento de si e da comunidade em que vive. Esse crescimento se da quando é dada ao individual a oportunidade de mostrar através de incentivos suas habilidades manuais, de pensar e de incentivar o habito de uma boa leitura para o crescimento do espírito.
Reconhecemos a leitura como ponto de partida na formação de estudantes e / ou profissionais, uma vez que através da leitura que indivíduos têm acesso aos conhecimentos científicos, tecnológicos; que podem conhecer hábitos, costumes ou historias de povos distantes no tempo ou no espaço. Reconhecemos ainda que a leitura é fonte, não só de conhecimento, mas também de prazer.
Na busca pelo prazer encontrado na leitura e, na árdua luta em transmitir esse prazer aos nossos alunos temos desenvolvido diversas atividades e projetos individuais (na turma) e coletivos (com todos os alunos). Reconhecendo que “ler não é decifrar, como num jogo de adivinhações, o sentido de um texto. E a partir do texto, ser capaz de atribuir-lhe significado relacioná-la a todos os outros textos significativos para cada um, reconhecer nele o tipo de leitura que seu autor pretendia e, dono da própria vontade, entrega-se a esta leitura, ou rebelar-se contra elas, propondo outra não prevista”, e na tentativa de encontrar e ensinar aos nossos alunos essa “leitura” que proponho o “projeto MEU LIVRO DE PEQUENAS HISTÓRIAS.
OBJETIVO GERAL:Estimular o autoconhecimento, desenvolver a criatividade e o pensamento e incentivar a leitura.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Compreender o sentido das mensagens escritas, desenvolvendo, sensibilidade para reconhecer a intencionalidade implícita e conteúdos discriminatórios ou persuasivos.
Conhecer diversos tipos de textos, sendo capaz de produzir ou reproduzir o que foi lido.
Reconhecer sentimentos, experiências e idéias expressos nos textos.
Utilizar as linguagens escritas com eficácia, adequando-a as intenções e situações comunicativas.
METODOLOGIA:
Leitura de contos da vida real, coleta e escrita de material, confecções dos livros e digitação e exposição dos livros.
CRONOGRAMA:
Maio junho julho: pesquisa, coleta de material, começo da digitação.
Agosto setembro: digitação, encadernação e entregam.
AVALIAÇÃO:
Trabalho para nota do terceiro bimestre no que vale os 60 pts sendo uma das notas de complemento do bimestre.
A seguir os contos: O primeiro conto da vida real leia e dei sua opinião.
A CADEIRA VAZIA
O dia estava insuportavelmente quente naquele fim de dezembro, não permitindo sequer um ventinho para amenizar a sala de trabalho. O expediente quase no fim proporcionava a Artur, absorto em pensamentos que oscilavam entre a família e o trabalho, um momento de calma para folhear uma lista de preços.
Casado há dois anos, Artur levava uma vida tranqüila junto da esposa Maria Flávia e da filha, que já se impunha como a alegria da casa. A posição de sócio-gerente da empresa, herdada do pai, dava-lhe uma situação econômica estável e bem remunerada, de modo a afastar qualquer preocupação de ordem financeira.
Também o diploma de admirador, conquistado com grande esforço, garantia-lhe certa segurança. E, para completar sua felicidade, a casa própria estava quase pronta, bonita e confortável, no bairro residencial das Paineiras. Árvores e flores bem tratadas rodeavam na, trazendo encanto e poesia àquelas manhãs de verão, quando saía para o trabalho. Esses pensamentos faziam o jovem empresário dar graças a Deus por tamanho sucesso seguido ainda na mocidade, pois apenas completara os seus 30 anos.
Uma chamada ao telefone interrompeu a tranqüilidade de Artur, trazendo-o de volta à realidade.
- Dr. Artur, querem falar -lhe com urgência avisou a secretária.
-Quem é?
-Clínica... Clínica não sei o quê, não entendi.
Artur levou o fone ao ouvido e empalideceu.
-Minha esposa? A senhora tem certeza? Sim, sim. Maria Flávia de Albuquerque...
-Mas ela estava boa... Algum desastre?
-Não senhor limitou-se a dizer a voz tenebrosa do outro lado. É melhor o senhor vir logo; ela reclama sua presença e só está nos causando problemas...
Com as mãos trêmulas, ele anotou o endereço e saiu correndo para o pátio de estacionamento. Manobrou com rapidez o automóvel e, em poucos minutos, encontrava-se num bairro pobre da cidade, à procura da clínica mencionada. Parou diante de uma velha casa.
-É aqui...
Entrou cauteloso, temendo alguma cilada.
-Será isto uma clínica mesmo?
Na primeira sala, deparou com duas moças sentadas em velhos sofás, com um olhar triste, como quem aguarda sentença de morte. Artur percebeu seu nervosismo, pois torciam as mãos, e uma delas tinha até lágrimas nos olhos.
-Minha esposa! Onde está Maria Flávia? Perguntou-lhes.
As duas entreolharam-se indiferentes e nada responderam, como se a sua dor e problemas fossem muito mais importante do que a preocupação daquele desconhecido. Um choro convulsivo vinha de dentro da casa.
-E ela! Que fizeram com minha mulher?
Artur correu desesperado por um corredor escuro e deparou com um homem e uma mulher visivelmente irritados. Vestiam aventais brancos encardidos.
- E o senhor o marido desta mulher? Melhor, então, que a leve, antes que nos dê mais trabalhos! Ali - disse o homem gordo e mal-barbeado, indicando uma saída.
Maria Flávia chorava copiosamente em uma sala, sentada num divã de couro. Notava-se que tomara algum tipo de anestesia ou entorpecente, pois parecia atordoada e falava coisas desconexas. Quando sentiu a presença do marido, agarrou-se a ele, implorando:
-Leve-me daqui, por favor! Perdão, meu bem... Eles são uns brutos... Brutos. Iam me mata... Senti que iam me mata!
Artur, confuso não sabia se carregava a esposa desesperada, ou se interpelava primeiro aquela gente.
-Alguém pode explicar-me o que se passa aqui? –disse Artur, encolerizado.
O homem de avental volto-se e procurou acalmá-lo.
-E melhor o senhor levar a sua mulher. Não aconteceu nada. Isto é só nervosismo. Depois de um bom repouso, sua esposa lhe contará, certamente, o que aconteceu. Poderá explica-lhe melhor do que nós o que a trouxe aqui.
-Quem é o senhor?
-Dr. Altamiro - interveio a mulher de avental branco. Eu sou a enfermeira. O senhor não esta vendo que isto aqui e uma clínica?
- Sua esposa veio por conta própria - continuou o gorducho. Depois arrependeu-se. Não conseguimos realizar nosso trabalho, como já disse. Agora vão, por favor, pois já perdemos muito tempo; temos clientes esperando.
Só então Artur começou a compreender a situação e achou melhor retirar – se. Carregou a esposa até o carro e deu a partida. Maria Flávia estava, ainda, sonolenta e adormeceu. Embora estivesse ansioso por saber a verdade, achou melhor não despertá-la. Em todo o trajeto, porém, sofria com amargas reflexões e hipóteses do porquê de tudo aquilo.
-Por que, meu Deus! Por que Maria Flávia procurou aquela gente suspeita? Não, não é uma clínica regular. Dever ser clandestina, criminosa talvez. Quem a teria recomendado? Minha esposa e tão inteligente! O que terá planejado?
O jovem empresário dirigia aparentemente calmo, mas com o pensamento e cento e cinqüenta por hora.
-Minha Flá querida, o que passou com você? Éramos tão felizes... E a pequena Gislana? O que faríamos sem você? Meu Deus, como a vida da gente pode complicar-se de um momento para o outro! Amanhã, lembramos nosso segundo aniversário de casamento! Que tragédia poria nos acontecer...
-Maria Flávia não estava de todo inconsciente, mas temia despertar e ter de explicar tudo.
Ao esposo, tão bom e dedicado. Durante o trajeto para casa, perdia os sentidos e acordava a cada momento quando dormia vinha-lhe o pesadelo das cenas vividas naquele dia: pela manhã, fora ao supermercado fazer compras; na parte da tarde , preparou-se e saiu, tomando um táxi na Praça da Matriz.
Precisava resolver tudo antes de Artur voltar do escritório. Chegando àquela casa sombria, ficou amedrontada e quis desistir. No entanto, renovou as forças e entrou rapidamente, sentando-se entre duas outras tresloucadas jovens solteiras, estudantes. Lembrava que aquelas meninas queriam como ela, se livrarem de um pesadelo, caindo em outro. Realmente foi isso que aconteceu.
Entre momentos de lucidez e inconsciência, Maria Flávia tentava perceber o que poderia ter levado aquelas jovens ali. Não era pelos mesmos motivos que os seus... Com certeza, o medo, a dúvida, a vergonha dos pais, dois irmãos, da sociedade, a perspectiva de serem mães solteiras, fizeram com que buscassem aquele lugar. Por isso estavam ali, nas garras de pessoas inescrupulosas, que agiam só por dinheiro . Talvez aquele homem nem fosse médico, e aquela casa, uma falsa clínica para explora mulheres de tal situação.
Sentindo os prédios girando á sua volta e o carro parecendo voar, ela se lembrou dos conselhos tão ponderados da tia Valéria, a única a quem confiara o seu segredo:
-Não faça isso, minha filha. Você ficará arrependida pelo resto de sua vida!
Vocês são jovens ainda e podem muito bem criar dois filhos. Recursos não faltam. Por que essa loucura? Você terá um drama de consciência, que não esquecerá tão cedo. Um dia, sentirá a falta do filho sacrificado, do filho que jamais voltará. Pense bem! Você terá para sempre, em casa uma cadeira vazia. É horrível sentar-se à mesa e nota que falta alguém: o filho sem futuro!
Contudo, insistiu na idéia. Faria tudo em segredo. Artur jamais saberia. Ninguém saberia. Pobre cabecinha ingênua! Como esconder um ato tão comprometedor?
Em dado momento, Maria Flávia sentiu-se lúcida novamente e lembrou-se daquele de quem nunca devia ter se esquecido.
-Meu Deus, minha única esperança! Jesus conserve meu filho. Se estiver morto, ressuscite-o como fez com Lázaro, aquele seu amigo de Betânia. Salve meu filho! Eu cuidarei dele com o maior carinho.
Em seguida desfaleceu. Só acordou horas depois quando já repousava em seu quarto. Artur estava ao seu lado, e a babá carregava a pequena Gislana, impaciente pela mamadeira que tardava, Maria Flávia pôde esperar a saída da empregada para abraçar o esposo e pedir-lhe perdão. Entre lágrimas e soluços desabafou.
-Perdão, amor, pela loucura que quase pratiquei...
O marido permanecia confuso.
-Por que, meu bem, por quê?
-Perdão por ter escondido tudo. Você não calcula o quanto sofri nesses dois meses. Estava grávida, e não me conformava... Gislana tem apenas 5 meses!
-Por que não me contou, não pediu me opinião?
-Planejava ver-me livre, pois não conseguia aceitar a idéia de um novo filho agora. Justamente agora que voltei a estudar, e já sonhava com aquele curso de mestrado. Quando vir meus sonhos defeitos, pensei na pior solução que poderia ter procurado. Descobri aquela clínica, aquela gente medonha...
-Bem, mas antes você disse quase...
-Sim, Artur – repetiu Maria Flávia entre soluços. Acho que salvei, em tempo, nosso filho. Deus olho para mim. Suspendi a operação quando me encontrava sob parte da anestesia. O resto você viu.
-E o “médico” não se opôs à sua reação?
-Não se opuseram porque o pagamento foi adiantado.
-Querida, você sempre me confiou tudo. Por que este segredo? Eu também quero esse filho. Vamos fazer tudo para salvá-lo. Nosso médico, O Dr. Fernando, já esteve aqui, quando você dormia. Voltará logo mais para conversar com você. Agora descanse. O repouso absoluto poderá resolver.
Pense que tudo acabou.
Artur passou as mãos pelos cabelos longos da esposa e ao beijá-la sentiu como estava trêmula e tensa.
Com muitos cuidados e bastante repouso, a gravidez de Maria Flávia chegou ao fim. A primavera tinha voltado, e os passarinhos, em bando, pousar no arvoredo do jardim. Maria Flávia ficava horas deitada na espreguiçadeira, entregue à meditação e à leitura. O trauma de um gesto impensado marcou-lhe a mente de forma aterradora. Nesses momentos de repouso, lembrava-se das palavras da tia Valéria, das cenas horríveis presenciadas naquela “clínica”.
Um dia, pensou em contar ao esposo como as palavras da tia a atormentavam. Artur procurou tranqüilizá-la, ponderando, no entanto, a sabedoria das palavras da velha tia.
-Tia Valéria é idosa, sem pouca instrução, mas nem por isso deixa de ter sua sabedoria. O aborto provocado, além de contrariar as leis de Deus e da natureza, e de estar sendo tratado por muitos, com certa leviandade, é crime: atentado contra o direito à vida, que toda pessoa tem. Por isso não pode ser praticado impunemente. Agora, esqueça. Tudo passou... Nosso filho vai nascer; é o que importa.
Ainda naquele setembro, veio à luz um lindo menino – Moisés. Talvez se lembrassem os pais de que o Moisés da Bíblia fora salva das águas, e aquela criança, de uma quase loucura.
Maria Flávia dispensou-lhe todo o carinho possível. Tinha agora um casal de filhos, no entanto, a preferência pelo menino era notada. O marido chegou até a censurar-lhe o procedimento, mas ela alegava que Gislana de nada podia se queixar. Era amada da mesma forma.
Certo dia, na hora do jantar, quando pela primeira vez as duas cadeirinhas foram colocadas junto à mesa, uma dramática lembrança quebrou, um instante, a alegria daquela hora, e Maria Flávia falou:
-Você esta aí meu filho, a cadeira não está vazia!
Depois abraçou-o e beijou-o, varias vezes, numa cena comovente e enternecedora. Moisés, porém, era ainda muito pequeno para entende o significado de tudo aquilo e agradecer a mãe por tê-lo deixado nascer.
Fim

